É realmente simples e fácil, exigindo materiais que praticamente sempre temos à nossa disposição: basicamente precisamos de uma garrafa PET comum (pode ser de qualquer tamanho a partir de 2 litos), um pedaço de tule (tecido com o metro vendido por R$1,00 ou R$2,00), alguma fita adesiva (tradicional, isolante ou crepe - mas dê preferência as que resistem a umidade, por exemplo) e alguns grãos.
Garrafa pet, fita adesiva e grãos basicamente - materiais acessíveis e recicláveis.
Primeiramente deve-se cortar o topo da garrafa e aproximadamente um pouco abaixo da metade, formando uma "círculo ou anel". Dependendo do formato da garrafa, pode acontecer de parecer difícil ou que não dará certo, mas com jeito acaba-se por cortar corretamente, nem que sejam desperdiçadas algumas outras até lá.

Corta-se o topo e um pouco abaixo da metade.
Focando na parte cortada de cima, retira-se a tampa e também a argola que lacra tampa, sem rompê-la. Isso é necessário pois a usaremos mais tarde. Use um objeto pontiagudo para ajudar a retirá-la. Algumas fontes recomendam que se lixe bem a parte interna desse lado da garrafa, deixando-a bem áspera afim de que aumente a área de evaporação da água, facilitando que o mosquito encontre a armadilha. Se for fazer, essa é a hora (use uma lixa virgem).
Retira-se a tampa e a argola.
O passo seguinte é posicionar o pedaço de tule em cima da "boca" da garrafa, e recolocar a argola, prendendo-o. Se não quiser fazer dessa forma, não retire a argola e use um simples elástico amarelo (atílios), que o resultado será o mesmo. O tule serve para que a larva passe enquanto é pequenina, mas não consiga mais sair após crescer.
Prende-se o tule na "boca" da garrafa com a própria argola.
Para um melhor acabamento e também praticidade (para que as larvas não fiquem presas no excesso de tecido) cortamos as rebarbas de tule.
As rebarbas de tule devem ser retiradas.
Logo em seguida, colocar água até a metade da parte de baixo da garrafa. É importante que essa água seja limpa e desclorada. Usar água com cloro não vai impedir a proliferação de mosquitos, mas a atrasa um pouco. Coloque o suficiente para que quando encaixe a outra metade da garrafa, o gargalo fique parcialmente submerso.
Colocar água limpa e sem cloro (descansada) até a metade.
Para que o mosquito seja atraído, não basta ter apenas água, se faz necessário algum material orgânico, que sirva de alimento para as larvas. Se a fêmea perceber que seus filhotes terão alimento, ela depositará os ovos. Para isso basta usar grãos comuns, como de arroz ou alpiste (ou painço). Uns 2 ou 3 grãos de arros ou 4 ou 6 de alpiste/painço já são suficiente, triturados ou inteiros, é indiferente. Se quiser, use um pedacinho de ração para gato triturada (não use de cães pois é muito gordurosa, o que prejudica muito a funcionalidade da armadilha ao criar uma película oleosa na superfície).
Alguns poucos grãos para servirem de alimento.
Após, o próximo passo é encaixar a parte superior da garrafa na parte inferior, com o gargalo virado para baixo. Note que a água passou pelo gargalo e ficou exposta, e é ali onde a fêmea de mosquito depositará seus ovos, atraída pela umidade da água e pela presença de material orgânico.
Encaixar uma parte na outra, da foma mais lógica.
Agora basta vedar com alguma fita que resiste a umidade. Pode ser as mais comuns que temos em casa mesmo. A mais resistente é a fita isolante, que dura mais tempo sem se soltar. O importante mesmo que tenha uma boa vedação, não permitindo que nada saia ou entre pelas laterais da armadilha.
Vedar bem as laterais da armadilha.
E a armadilha está pronta! Basta agora escolher o melhor local, que será aquele que seja sombreado, pois a maioria dos mosquitos domésticos possuem certa aversão à luz (especialmente o Mosquito da Dengue). É importante que seja fresco e ventilado, lugares abafados costumam ser descartados pela fêmea. Prefira locais como pátios e varandas, fora de casa e não muito movimentados.

Colocar então a armadilha em um lugar com sombra, arejado e pouco movimentado.
Com o passar dos dias, é natural que se crie um pouco de limo (algas vedes) ou outros detritos, não se preocupe. Inclusive muitas larvas utilizam esses materiais mais seus próprios excrementos como proteção, formando verdadeiros túneis. Mas nunca estará 100% limpo, até porque ao crescer as larvas trocam de pele.
Larvas aprisionadas e utilizadas antes que evoluam para o próximo estágio, pulpar.
Um ponto interessante é que a armadilha pode prender diferentes tipos de mosquitos. Obviamente não são todos as espécies que depositam seus ovos em águas limpas e calmas, mas a maioria dos que encontramos em nosso país sim, nas zonas residenciais. Interessante por si só, observar o comportamento de cada tipo de larva, o tamanho, a cor etc. Dependendo de quantas posturas ocorreram, na mesma armadilha é possível encontrar a mesma espécie mas em diferentes tamanhos.
Uma larva muito comum é uma cor de sangue, vermelho bem vivo, grande e robusta, conhecida e comercializada como BloodWorm (foi citado no começo desse artigo), variedade bem recorrente. Ela atrai muito a tenção dos peixes, que ficam muito agitados e a devoram rapidamente.
BloodWorms e outra espécie de mosquito em fase larval, de diferentes tamanhos.
Para lavar é simples, basta ir colocando água e retirando os detritos, ou mesmo "coá-los" em água corrente, com um jato fraco para não matá-los, até porque o interessante é oferecê-los vivos. Dependendo do caso, basta retirá-los jogar aos peixes, pois a água em que estão já é desclorada. Se encontrar pupas, ofereça imediatamente, impedindo que consigam evoluir para mosquitos adultos.
Como funciona?
A armadilha funciona de forma tão simples e precisa como é feita: o mosquito fêmea detecta a umidade e se aproxima, percebe através de receptores a presença de alimento e deposita então seus ovos na beira da água. Após alguns dias os ovos eclodem e as larvas, ainda muito pequeninas, passam tranquilamente pelo tule, indo para o interior da armadilha. Após ganharem tamanho, já não conseguem voltar devido ao tamanho do tecido, sendo obrigados a permanecer na armadilha. Mesmo que passem pela metamorfose, do casulo ao mosquito adulto, o inseto não tem para onde ir, ficando preso (por isso é importante vedar bem com fita adesiva).
No caso de aquaristas, fica fácil conseguir larvas: basta verificar semanalmente a presença ou não de larvas, e quando detectar, basta acompanhar seu crescimento até o tamanho desejado (pode mudar dependendo do tamanho do peixe) e então abrir a armadilha, coletar as larvas, enxaguar se necessário e oferecer aos peixes. Novamente monta-se a armadilha normalmente, podendo se reutilizada inúmeras vezes.
No final das contas essa armadilha representa um benefício para a sociedade, além da simples fonte de alimento aos peixes ornamentais. Servir de alimento já á algo interessante, mas também combate os mosquitos de uma maneira geral e muito segura, pois mesmo que você esqueça que fez tal armadilha, os eventuais mosquitos aprisionados morrerão de qualquer maneira. Então se esquecer tais animais também são eliminados, servindo como utilidade para a comunidade, uma verdadeira ferramente da defesa contra esses insetos transmissores de doenças.
Com a intenção de alimentar os peixes ou de eliminar focos de mosquitos e doenças, essa armadilha é eficiente, simples, segura e recomendada por e para todos. Aquaristas ou não, vale à pena montar pelo menos uma. Seus peixes agradecerão e sua comunidade também.
Abraços.
