Olá,
Todos nós sabemos que quando se trata de crianças pequenas, todo cuidado é pouco. São curiosas e não possuem uma noção do que pode ou não ser perigoso para si mesmas. Unindo isso ao um aquário e todo o universo que o rodeia (vidro, água, equipamentos elétricos, produtos químicos etc) temos riscos altíssimos de acidentes, muitas vezes gravíssimos.
Geralmente em uma idade que varia de 1 à 6 anos, é que elas são muito curiosas e ainda não sabem exatamente obedecer à certas regras como não tocar em determinados objetos. Tudo é novidade para elas, é palpável e muito atrativo. Se nós já ficamos encantados com peixes, equipamentos e produtos, como controlar esse ímpeto de exploração das crianças? Claro que a educação é um ponto a favor, mas não podemos contar 100%, pois são imprevisíveis. Então quando digo, devemos ficar sempre "de guarda", monitorando o aquário na presença de crianças, é no sentido literal mesmo.
Elas costumam querer tocar no vidro, na intensão de pegar os peixinhos (bichinhos coloridos e sempre em movimento, encantadores), e acabam batendo muitas vezes com força. Mesmo pequenas, possuem força o suficiente para quebrar os vidros da maioria dos aquários: imagine o estrago, corte perigosos, profundos - sangue. Choques elétricos devido à água e os equipamentos. Só isso já serviria como única âncora para todos esses cuidados. Arriscado demais. Cabos, mangueiras e fios também são objetos "puxáveis", se estiverem ao alcance delas. Filtros, coolers, timers e cilindros de CO2 cheiros de botões e geralmente coloridos também, sempre chamam a atenção. Costumam verificar as gavetas ou portinholas comumente presentes nos móveis, por isso se possível só mantenha revistas ou livros, evite produtos químicos ou rações por exemplo.
Produtos como fertilizantes, medicamentos e rações devem também ficar totalmente fora do alcance dos pequeninos. As embalagens costumam ser bem atrativas, e se a criança experimentar, pode gerar resultados desde uma careta feia por causa do sabor e uma bela dor de barriga até mesmo uma intoxicação grave, no caso de medicamentos principalmente.
Mas os acidentes não se limitam apenas no que se refere a segurança das crianças, muitas vezes elas saem ilesas e quem sofre as consequências são os peixes, tão indefesos quanto elas. Elas adoram colocar coisas no aquário, principalmente rações. Aquários mais altos costumam resolver o problema, mas nem sempre isso está disponível. E de toda forma, um banquinho ou cadeira que elas arrastarem já acabaria com esse "obstáculo", da altura.
Imagine um pote inteiro de ração mergulhado no aquário? Desequilíbrio na certa, com direito à muita sujeira e diversos problemas subsequentes. E peixes obesos, também.
Sobre colocar coisas no aquário, acho que está aí o perigo maior. E nem me refiro necessariamente à outros produtos químicos ou objetos aleatórios de casa, os próprios produtos orbitais do aquário podem ser perigosos caso vocês e distraia por um instante. A diferença entre remédio e veneno é a quantidade, dizem. Usarei como exemplo prático o que aconteceu comigo e que me motivou a escrever esse pequeno texto:
Na minha casa não existem criança pequenas, então nunca me preocupei com tudo que escrevi acima. Porém, a algum tempo atrás, estava fazendo a manutenção semanal tradicionalmente, como faço sempre. Baldes espalhados, jornais pelo chão e produtos enfileirados, ao alcance das minhas mãos. De repente recebo a visita de meu irmão e de meu sobrinho, de 5 anos. Foram para outro cômodo eu continuei na sala terminando o serviço. Eu já conheço a figura portanto meus pais nem deixam ele se aproximar... Porém, à certa altura fui chamado para ir a cozinha, e foi o que fiz. Coisa rápida, menos de 3 ou 4 minutos. O suficiente para que meu sobrinho fosse sorrateiramente para a sala e pegasse meu potinho de tamponador da Seachem e simplesmente o esvaziasse dentro do meu aquário temático.
Percebi a tempo de salvar apenas poucos peixinhos, eu diria uns 6 exatamente. Foi algo terrível a visão dos animais que eu tanto gosto boiando, morrendo, sem que eu pudesse fazer nada de útil por eles. Não pude culpá-lo, pois é uma criança e não sabe o que faz. Não pude me culpar pois sempre procedi assim, simplesmente não estou acostumado à presença de crianças na minha casa. Tão pouco culpar meu irmão... Acho que a culpa é da ocasião, das coincidências. Nada mais.
Para então evitar de passar pelo que passei e sentir o que senti, cuidem das crianças quando tiver um aquário. Mesmo que sejam apenas visitas ocasionais. Além de tudo, o resultado pode até ser mais grave, elas podem se machucar.
É ótimo ver a interação da criança com o aquário. Uma oportunidade de ensiná-las a gostar, cuidar e preservar a natureza. Mas isso deve ser feito com os olhos bem abertos, para que o que foi feito para trazer alegrias não se transforme de forma repentina em tristes acidentes ou terríveis tragédias.
Abraços.