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Dengue x killifishes

A cada verão que se aproxima, vemos se aproximar também a epidemia da dengue. Com o tempo, elas vão se tornando mais "fortes" e isto se deve aos erros cometidos pela falta de competência e o desleixo em relação às questões ambientais.

No caso específico da dengue, podemos reparar diversas situações que nos levam a acreditar que aqueles que deveriam cuidar do problema pouco (ou nada) sabem sobre ele. Milhões são gastos, sem que uma melhora significativa seja percebida.

Algumas pessoas devem estar se perguntando: o que isso tem a ver com os Killifishes?

Eu respondo: é simples!

Os biótopos de killifishes, que muitos consideram apenas como uma poça de água suja, achando que são criadouros de mosquitos popularmente chamados de brejos, na realidade são “armadilhas” para os mosquitos e funcionam como um regulador no quantitativo populacional destes insetos.

-  Mas como assim?

O Aedes aegypti, ao desovar em qualquer vasilhame, terá uma taxa de eclosão muito elevada, visto que nestes ambientes não encontrarão predadores naturais, cabendo ao homem fazer seu controle populacional. Esta prática, como sabemos, requer campanhas para localizar criadouros e utilizar inseticidas que também trazem sérios danos ao homem e o meio ambiente. Ao contrário disso, os biótopos, onde os ovos dos insetos precisam passar por toda pressão ambiental e predação natural de outros insetos, anfíbios etc. antes de eclodir, funcionam como um controlador natural desta população, já que, após a eclosão, as pequenas larvas constituirão um belo cardápio para os pequenos (recém-nascidos) alevinos de killifishes, ocorrendo assim destruição da maior parte desses mosquitos.

Tenho presenciado, durante anos de trabalho e acompanhamento, a agressão e o extermínio dos biótopos do Estado do Rio de Janeiro. A partir de 1991, teve início um trabalho de lançamento de inseticida  que destrói toda a fauna local e também contamina o subsolo, onde estão guardados os ovos dos killis, depositados durante o período de cheia. E parece que não há estudos sobre estes locais. No próximo ano, quando começar o período de chuvas, o biótopo novamente encherá, e não haverá uma nova população de killifishes, porque os ovos que deveriam ter passado por um processo de diapausa e eclosão nas primeiras horas da formação da poça (biótopo) foram destruídos pela ação do inseticida ali depositado. Já os mosquitos continuarão fazendo sua desova e não mais sofrerão a predação dos anos anteriores. O que acontecerá então com o quantitativo populacional na região? É um bom questionamento.

Depois de morta a população de killifishes de um biótopo e com a contaminação das camadas do solo, não surgirá uma nova população, o que normalmente ocorreria anualmente durante o período das chuvas e a cada cheia da poça, num processo natural criado há milhões de anos pela natureza para promover o equilíbrio do meio ambiente.

Somando-se a isto, temos o problema do aterramento das poças, o que obriga os mosquitos a migrarem para as áreas habitadas à procura de locais para sua desova e, consequentemente, a invasão das nossas residências.

Deixo aqui uma séria reflexão acerca da extensa lista de destruição promovida pelo homem. Este é, sem sombra de dúvida, apenas mais um dos motivos pelos quais o Aedes aegypti não é erradicado do nosso Estado.

Autor: Francisco Moutinho (20/02/2016)
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