COLUNAS AQUAFLUX
O aquarismo tropical no Trópico de Capricórnio

Frequentando o fórum Aquaflux podemos perceber que, nos verões, os tópicos relacionados às altas temperaturas nos aquários são muito (re)visitados. Todo aquarista brasileiro¹ já deve ter passado pelo horror de ver o termômetro de seu aquário passar da barreira dos 30°C.

Tal situação pode nos levar a dois questionamentos:

1º Por que isso é tão comum e tão nocivo, uma vez que os peixes, que a maioria de nós escolheu, têm origem nas mesmas zonas térmicas (tropicais e equatorial) na qual estamos inseridos?

2º Por que tanta dificuldade em conseguir contornar esse problema, seja por falta de equipamentos próprios (e todos podem confirmar isso dando uma olhada nas diversas criações no estilo FVM para suprir essa carência), seja pelos preços exorbitantes cobrados para os que existem (como coolers e chillers, que também ganham várias versões FVM)?

Poderíamos, então, chegar a seguinte hipótese para a primeira questão: o maior problema está na limitação volumétrica que nossos aquários possuem, isto é, os peixes podem ser de origem tropical (ou equatorial), mas o volume dos corpos d’água de onde se originam garante, na maior parte dos casos², uma temperatura da água bem inferior à atmosférica. Além disso, nesses corpos d'água, outro fator que contribui para a manutenção da temperatura é a vazão e evaporação, nos nossos aquários a evaporação pode ser feita pelos coolers, mas a vazão fica mais complicada, pois mexer com a vazão dos filtros pode ser perigoso e não dá pra montar outro aquário só para circulação é impraticável. Assim, não há, a menos que se possua um lago artificial bem planejado, como reproduzir um ambiente termicamente semelhante aos dos peixes tropicais. Pelo menos não nos nossos verões e, muito menos, sem um investimento em equipamentos que forcem uma perda de calor na água de nossos aquários.

O que nos leva ao outro questionamento. Por que é tão caro esfriar a água? A resposta parece estar no papel secundário que países como o Brasil ainda possuem na indústria aquarística, ou seja, como nos grandes centros do aquarismo mundial, como os EUA, Japão e alguns países europeus, o aquecimento da água é uma necessidade e não um problema a ser contornado, não há investimentos em escala para o desenvolvimento e produção de equipamentos destinados a resfriar aquários de água doce. Assim, ficamos reféns da oferta limitada dos produtos destinados à refrigeração de aquários de água salgada, que ainda é mais reduzida por ser direcionada à manutenção de corais e peixes mais sensíveis.

Como o aquarismo brasileiro parece estar vivendo um período de expansão, talvez, em longo prazo, os grandes fabricantes mundiais de equipamentos aquarísticos venham a investir em soluções mais baratas e eficientes para atender à crescente demanda por resfriadores. Mas, no horizonte que se apresenta, não veremos uma solução que não dependa da inventividade de nossos mestres do FVM, que poderiam e deveriam receber investimentos - desde a compra de patente até a contratação para as áreas de pesquisa e desenvolvimento - por parte dos fabricantes nacionais de equipamentos³. Mas, até lá, vamos nós, homens e peixes, sofrendo com o calor.

¹ Salvo aqueles que são abençoados por um clima mais ameno na maior parte do ano.

² Uma exceção óbvia seriam os peixes oriundos de pequenos corpos d’água, como muitos killies, por exemplo.

³ Como adendo, diríamos que há, nesse caso, uma grande barreira entre a inventividade e o senso de oportunidade.

Autores: Edvaldo Trajano e Marcelo Azevedo

Autor: Edvaldo (07/03/2013)
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