COLUNAS AQUAFLUX
Presbiopia e miopia aquarística

Certa manhã, percebi minha filha mais nova (no momento em que escrevo, ela tem 9 meses) admirada com algo que vinha da janela. Sorria para algo que eu não via. Só percebi o que era quando minha memória me transportou no tempo, décadas no passado. Pois, por mais que me esforçasse, não conseguia ver o balé de partículas de poeira no ar banhado pelo sol. Então, enquanto curtia o momento com minha pequena desbravadora, pensei no quanto de mundo eu vou, pouco a pouco, deixando de testemunhar. São as mazelas do tempo, e isso é inexorável.

Mais tarde, enquanto admirava meu aquário, o pensamento sobre os efeitos do envelhecimento de meus globos oculares retornou. Lembrei-me, então, de diversas conversas que tive com amigos aquaristas - aqui do Aquaflux, velhos como eu e que não nomearei para não ser indiscreto - onde, volta e meia, a questão da visão, ou falta dela, de alguma forma, influenciava suas escolhas e práticas dentro do hobby.

Parte do aquarista que sou é fortemente determinada pelas mazelas de ser míope e sofrer de “vista cansada”. Eu sempre fiquei admirado com o fascínio que certas modalidades de aquarismo exerciam sobre alguns hobbystas, mas nunca consegui sentir o mesmo. Por muito tempo, acreditei que isso era apenas uma questão de gosto e identificação. Mas, agora, vejo por um outro prisma, ou melhor, não vejo!

Os camarões e os aquários montados especificamente para eles são lindos? Sim. Mas, só tinha contato com eles através de imagens magnificadas. Quando, pela primeira vez, me deparei com um aquário desses, ao vivo, não consegui enxergar os pequenos crustáceos! Muito menos ver se uma fêmea estava selada ou ovada. Não consegui me imaginar mantendo um aquário desses, onde seria necessário colar a cara no vidro e usar uma lupa. Nada contra os camarões ou quem os cria, mas não podia ser minha praia.

Tenho o mesmo sentimento com os killies e bettas. Os peixes são maravilhosos. A maioria deles é tão colorida que não devem nada em beleza a qualquer peixe ornamental. Contudo, tudo que envolve o seu manejo, da alimentação à reprodução, parece-me um laboratório de fertilização in vitro. Simplesmente não dá para acreditar que há alimento suficientemente pequeno para as bocas quase microscópicas de um betta ou killie recém-nascido! E como o cara sabe se recolheu todos os ovos de uma bruxinha? Também estou fora.

O aquapaisagismo, principalmente o praticado em nano aquários envolve uma percepção estética, com podas precisas e firmes, que não possuo. E paciência para arrumar, com a ajuda de uma pinça, as pequenas estruturas ramificadas de um musgo? Não é para mim.

Para mim, curtir um aquário é poder vê-lo e aos seus habitantes. Não é preciso ser um aquário realmente grande, com peixes igualmente avantajados. Não. Só preciso de um aquário e peixes que possam ser curtidos a uma distância razoável, por exemplo do conforto do meu sofá. Talvez por isso, tenho sido atraído, a princípio, por peixes coloridos e de médio e grande porte - os primeiros peixes da minha vida aquarística foram os alegres Barbos-Sumatranos (Puntius tetrazona) - e de lá para cá, venho curtindo esse tipo de peixes… Agora sei que é culpa da idade!


Autor: Edvaldo Trajano (22/07/2014)
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