COLUNAS AQUAFLUX
Quando o ego vence o eco

Uma coisa que aprendi na minha vida, é que todos aprendem conforme o tempo passa. Através de erros e acertos se constrói uma rede intrincada de conhecimentos que é única e individual. Com o apoio de pesquisa, leitura (muita leitura!) e troca de informações se pode ter toda a base teórica necessária para iniciar ou continuar com os exercícios práticos que o aquarismo nos proporciona.

Esse conhecimento, apesar de singular, é parecido entre todos nós hobbistas. Um dos principais diferenciais é o foco desse saber: alguns preferem os encantos de um aquário plantado; outros veem nos peixes maiores, os nossos jumbos, o verdadeiro sentido de se criar peixes; existem ainda aqueles que são eternamente fascinados pelos dóceis kinguios ou pela serenidade das carpas. São tantas as ramificações possíveis, que seriam necessárias muitas linhas para listá-las. Essa variedade forma pessoas com diferentes especialidades. E não tenho receio algum de usar a palavra “especialidade”, porque não é incomum encontrar de vez em quando pessoas que parecem simplesmente verter sabedoria quando abrem a boca ou quando sentam na frente de um computador e resolvem explanar acerca do que gostam e do que sabem.

Quando algumas dessas pessoas resolvem espalhar o que sabem, principalmente em veículos que permitem a disseminação de informações de forma quase instantânea como a internet, toda a comunidade aquarística é beneficiada. Não há nada melhor do que alguém que sabe e está disposto a ensinar.

“Mas Mateus, isso todos nós sabemos, nada de novo, trivial, qual a necessidade de uma coluna com motivos tão óbvios?”, justifico-me caso essa pergunta seja feita (e espero que seja, indagação é a chave para aprender!): o que fazer quando esse conhecimento tem por irmão gêmeo a arrogância? Não muito, além de lamentar.

Não existe coisa mais triste, no que diz respeito à convivência, do que uma pessoa pensar que é melhor, maior ou possuir mais valor por saber mais. Esse exemplo é visto em vários setores da nossa vida: no trabalho, na família e, mesmo, entre amigos. E em uma comunidade como a nossa não seria diferente. Uma frase dura, ríspida e ácida pode destruir a motivação que alguém possui. Principalmente quando já se encontra em maus-lençóis e por isso procurou auxílio. Para aprender, não ser humilhado ou tratado com desigualdade.

Toda comunidade possui diferentes cabeças, diferente sentenças. A variabilidade de ideias é desejada e é absolutamente necessária, pois é através de ideias opostas que podemos construir novos conhecimentos ou mesmo chegar ao denominador comum. Mas pensar diferente não é impor ideias. Muito menos de forma asquerosa. O conjunto de pessoas dentro de um fórum, qualquer que seja, dentro de uma sala de aula e mesmo no ambiente de trabalho, outro exemplo, não deixa de ser um ecossistema. E cada um tem o seu papel lá dentro e a interação, quando saudável, faz todo esse sistema evoluir.

Mas quando deixa-se de pensar em eco e pensa-se no nosso ego, tudo desmorona. Aquele sujeito que é muito inteligente, astuto e criativo, quando cai na armadilha do orgulho passa a trazer mais mal do que bem para qualquer ambiente que frequenta. Ter pessoas assim por perto é insegurança eterna: você sabe que aquela pessoa tem potencial e ajuda, mas sabe que a qualquer momento ela será rude e arrogante, e não por palavras mal interpretadas, mas por intenções bem diretas. Isso é tão triste, é tão cruel! Deixa o ambiente pesado e sequestra o prazer de conviver.

O aquarismo é um hobby ainda pouco praticado, um tanto exclusivo, ou seja, um passatempo educativo e encantador que ainda está longe de ser tão popular. Deveria haver uma união, uma agregação para melhorar a prática e consolidar essa nossa arte de montar e manter aquários. Mas para isso é preciso vencer uma guerra que persiste há séculos, pensar que o eco, todos, o conjunto é mais importante do que apenas eu. Saber não compartilhado é desperdício. Saber acompanhado desse falso poder arrogante, é miséria, é repelente e imoral.

Eu não sei MAIS que você, eu sei DIFERENTE de você, e o contrário é verdadeiro. Quando se pensar única e exclusivamente nos aquários e nos seres que nele criamos, quando se tiver em mente que a nossa união só trará benefícios ao hobby, quando percebemos que somos apenas um tijolo nessa construção, importante peça, mas não única e muito menos insubstituível, viveremos em uma realidade diferente. Melhor.

Até lá, por favor, lembremos: temos tanto, mas tanto a aprender...

Autor: Mateus Camboim (30/04/2014)
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