ENTREVISTAS AQUAFLUX
Entrevista com Dalton Nielsen

Nome Completo: Dalton Tavares Bressane Nielsen
Profissão: Biólogo
Data de Nascimento: 09/07/1966
Tempo no Hobby: 35 anos
Quantidade de Aquários: Já tive 216 aquários hoje tenho 35.
 

Trabalhos Científicos Realizados:
• Simpsonichthys reticulatus n. sp. (Cyprinodontiformes: Rivulidae): a new annual fish from the Rio Xingu flood plains, Brazilian Amazon.Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 7 (3): 119-122, 2 figs., 1 tab, 15 Set 2003.

• Descrição de uma nova espécie de peixe anual do gênero Simpsonichthys (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do rio São Francisco, Brasil. Revue fr. Aquariol.,23(1996),1-2, 30 juin 1996 .

• Um novo gênero e espécie de peixe anual (Cyprinodontiformes: Rivulidae) da bacia do Araguaia, Brasil central. Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.7,nº3 16 Sept 1996.

• Simpsonichthys auratus, um novo peixe anual do afluente do rio Paracatu, bacia do São Francisco, Brasil. (Cyprinodontiformes: Rivulidae) Ichthyol.Explor.Freshwaters, vol.11, nº 1,11jan 1999.

• Simpsonichthys carlettoi (Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new annual fish from the Rio Sao Francisco basin, north-eastern Brazil. Aqua, Journal of Ichthyology and Aquatic Biology, 8 (3): 125-130, 6 figs., 2 tabs.

• Quatro novos rivulídeos anuais do gênero Simpsonichthys (Cyprinodontiformes) das bacias dos rios São Francisco e Pardo,Brasil..Aquarium, Rio de Janeiro,26,24-31,

• Padrão Reprodutivo, Alimentar e Morfometria de Brycon opalinus (Caraciformes: Caracidae) no Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Santa Virgínia/Natividade da Serra). 2003.

• Cynolebias paraguasuensis n. sp. (Teleostei:Cyprinodontiformes:Rivulidae), a new seasonal killifish from the Brazilian Caatinga.Paraguaçu River basin.Aqua Internatonal Journal of Ichtyology,12,129-132.

• Distribuição de Leptolebias aureoguttatus (Cyprinodontiformes: Rivulidae) e descoberta de Oito novas populações. JKNF, vol3, nº3, 21 Jun 1991.

• Palestrante “Os Rivulidae do Brasil” em Julho de 1991 na França e Holanda.

• Palestrante “A ordem Cyprinodontiformes“ em Novembro de 1999 no Congresso Internacional de Guppy no Rio de Janeiro.

• Palestrante “O uso do Brinquedo no ensino de Ciências” em Outubro de 2003 na Semana da Pedagogia da Universidade de Taubaté.

• Palestrante “Sistemática e ecologia de peixes sul-americanos” em Novembro de 2004
na semana da Biologia da Universidade de Taubaté.

• Taxonomy of the plesiolebiasine killifish genera Pituna, Plesiolebias and Maratecoara (Teleostei: Cyprinodontiformes: Rivulidae), with descriptions of nine new species.

• Pituna xinguensis, new species . Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

• Plesiolebias altamira , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

• Plesiolebias canabravensis , new species. Zootaxa 1410:1-41. 22 Feb 2007.

• Palestrante “Simpsonichthys, peixes anuais Brasileiros” Paris e Milão, Maio de 2007.

• Cynolebias paraguaensis n. sp. (Teleostei: Cyprinodontiformes: Rivulidae) a new seasonal killifish from the brazilian Caatinga, Paraguaçu River Basin. Aqua,Internacional Journal of Ichthyology. Aqua vol12 nº3, 10 July, 2007.

• Ministrou curso básico e avançado sobre Cyprinodontiformes. Auditório do Instituto de Pesca no Parque da Água Branca em São Paulo. Março de 2008.

• Palestra “Caracterização de Biomas anuais brasileiros”. Congresso Internacional da AIK, Ferrara Itália Abril de 2008.

• Palestra “Caracterização de Biomas anuais brasileiros”. Congresso Internacional da França , cidade de Congnac, Setembro de 2009.

• Palestra “ Simpsonichthys e Nematolebias” no primeiro Congresso da KCA-Killi Clube Argentino , Novembro de 2008.

• Palestra “Austrolebias brasileiras e Cynolebias Ecologia, distribuição e Reprodução” no primeiro Congresso da KCA-Killi Clube Argentino, Novembro de 2009.

• Autor do livro “Simpsonichthys e Nematolebias” Editora Cabral. Maio de 2008.

• Autor do livro “Killifihs – Cynopoecilini” Editora Aquamazon. Maio de 2010. (Em Preper)

• Responsável e empreendedor do Borboletário de Taubaté, 2006 e 2007.


Aquaflux: Em que momento da vida de aquarista você descobriu os killifishes? Conte-nos um pouco do seu início nessa modalidade.
Dalton Nielsen: Em 1981 fui visitar um amigo e grande Aquarista, Julio Ghisolfii. Em meio a uma conversa ele pediu para eu ajudá-lo a coletar alguns ovos de um peixe amarelo, Aplocheilus lineatus, e colocá-los em um pequeno pote de margarida. Após coletar 14 ovos ele me deixou levar os ovos para casa, desde este dia me envolvi com os killifish.

Aquaflux: Qual foi seu primeiro killifish ? Quais deles são seus preferidos?
Dalton Nielsen: Apesar de ter me apaixonado pelos Killifish como descrito na questão anterior, o primeiro killifish que tive foi Ptrolebias longipinnis que comprei para um aquário comunitário na loja Aquário do Brasil, na ocasião era vendido como sendo um Rivulus.
O Universo dos killies é bem amplo, são mais de 1.000 espécies conhecidas atualmente e a minha preferência é pelos anuais sul americanos.

Aquaflux: Você já descobriu novas espécies de killifishes, qual delas julga ser a mais importante?
Dalton Nielsen: Sim, é difícil dizer que uma espécie é mais importante que outra, mas uma causou grande surpresa foi a Spectrolebias semiocellatus.

Aquaflux: Qual foi sua maior conquista e seu maior fracasso relacionado a criação de killifishes?
Dalton Nielsen: A maior conquista foi ter reproduzido em cativeiro a Lept. splendens. Somente duas pessoas conseguiram a reprodução desta espécie eu e o Carlos Tatsuda.O maior fracasso...Hummmm.......já esqueci....

Aquaflux: Mesmo o Brasil tendo excelentes biótipos, a criação de killifishes ainda é pequena se comparada aos demais países do mundo, saberia dizer algum motivo específico?
Dalton Nielsen: Este fato se dá por fatores históricos. Primeiro os lojistas acreditavam que estes peixes fossem agressivos depois, quando este mito foi superado, veio um boato afirmando que o IBAMA considera crime criar e comercializar estas espécies.

Aquaflux: Você já escreveu um livro que é referência na criação dos killifishes, o "Simpsonichthys e Nematolebias". Conte-nos um pouco sobre essa experiência e os desafios encontrados.
Dalton Nielsen: Foi meu primeiro livro e, portanto apanhei muito em detalhes que nem sabia que existiam em relação à edição e colocação do livro à venda. Outro problema que encontrei foi reunir fotos de todas as espécies que estão no livro.

Aquaflux: No livro você diz que alguns cientistas têm "restrições" quanto a aquaristas. Ao que você deve este tipo de pensamento?
Dalton Nielsen: Preconceito. Alguns cientistas acham que sabem tudo e que os aquaristas são publico leigo. Eu primeiramente fui aquarista e hoje sou um Aquarista-Biólogo.Foi por causa do aquarismo que me tornei Biólogo.

Aquaflux: Tem alguma novidade para esse ano ou o próximo, para contar a nós aquaristas?
Dalton Nielsen: Meu segundo livro: Killifish – Cynopoecilini. Neste segundo livro falo de mais 19 espécies de peixes anuais sul americanos que habitam a região da costa leste sulamericana.

Aquaflux: Você já visitou diversos biótipos de killifish pelo mundo, tem algum em especial que lhe chamou mais atenção? Se sim, qual?
Dalton Nielsen: Todos possuem suas particularidades. Gosto muito dos biotopos do Pantanal onde há uma intersecção dos biotopos anuais com os não anuais e acabamos encontrando várias espécies de aquário junto com os peixes anuais

Aquaflux: Infelizmente existe por parte de algumas pessoas e até de alguns orgãos governamentais, preconceito em relação a criadores de killis, taxando os amantes do hobby como "predadores" e tentando erroneamente, colocá-los na ilegalidade. O que você pensa disso?
Dalton Nielsen: Conte-me uma espécie de killi que foi extinta por aquaristas. Nenhuma. Mas existem mais de 05 espécies extintas na Natureza que estão preservadas vivas com aquaristas. Não sei como há pessoas que não enxergam este fato, os aquaristas sejam intencionais ou não preservam as espécies de peixes sendo killies ou de outro grupo, mas já li que há uma grande pressão da indústria do aquário coletando espécies de killies, quem escreveu isso realmente não conhece a biologia nem o mercado das espécies de killies.

Aquaflux: Em sua opinião, a coleta de peixes em ambientes naturais é boa ou ruim para o hobby?
Dalton Nielsen: Se for efetuada com critério não há problema, o que a maioria dos aquaristas possui.

Aquaflux: Existe por parte do Ibama ou alguma outra instituição o cuidado de preservar exemplares de killifishes encontrados na natureza com finalidade de evitar sua extinção ou isso está apenas sendo feito "extra oficialmente" pelos criadores e aquaristas?
Dalton Nielsen: Depois que aprovaram a construção da Usina de Belo Monte eu fiquei descrente. Naquela região há 04 espécies de killies que serão extintas além de mais de 30 espécies de outros grupos.
Apenas os aquaristas, como citei, intencionalmente ou não estão preservando os Killies.

Aquaflux: Muitos Killifishes existem apenas em cativeiro e alguns descendem de apenas um casal, você crê que algum dia será possível reintroduzi-los na natureza? Esta limitação genética pode ser um problema?
Dalton Nielsen: A reintrodução é viável. Há um caso em Cabo Frio-RJ de reintrodução de N. whitei pela população local que funcionou. Em relação à degeneração genética até o presente momento não apresentou problemas, esta espécie que está entre os aquaristas, S. marginatus, derivada de um único casal está sendo reproduzida sem alteração há 16 anos.

Aquaflux: Com a destruição maciça dos ambientes naturais aqui Brasil e também no restante do mundo, qual sua opinião acerca do futuro dos killifishes?
Dalton Nielsen: Isso sim extingue as espécies de killies e outros peixes, espero que a espécie Homo sapiens seja extinta antes das outras. Por que a nossa espécie tem mais direito á vida que as demais?

Aquaflux: Quais conselhos julga mais importantes para os iniciantes na criação de killifish?
Dalton Nielsen: Iniciar pelas espécies mais fáceis de criar, como as espécies de Aphyosemion, Fundolopanchax.

Aquaflux: Você acha que os fóruns, blogs e sites ajudam na conscientização e na divulgação do aquarismo?
Dalton Nielsen: Com certeza. A internet é uma ferramenta importante, ajudou muito os hobbistas de killies.

Aquaflux: O que falta para os clubes de Killifilia nacionais terem o mesmo nível dos internacionais? Apenas questão de tempo?
Dalton Nielsen: Há um problema cultural entre os brasileiros na formação de clubes e associações. Todos querem ser presidentes e ninguém quer pagar mensalidade para ter beneficio de um grupo.

Aquaflux: Qual sua opinião sobre a Usina de Belo Monte e a transposição do Rio São Francisco e o impacto que estas obras podem causar na ictiofauna e nos biomas sazonais da região que sabidamente possuem uma população importante de peixes anuais?
Dalton Nielsen: Sou totalmente contra estas obras que só possuem interesse político. Há muito se sabe que o ideal é a construção de pequenas Usinas hidrelétricas locais em regiões com grande desnível, onde a energia cinética da água é aproveitada em sua totalidade. A transposição do S. Francisco é piada de mau gosto. Qual será o preço desta água na torneira de quem vai utilizá-la?
Com o dinheiro da transposição poderiam ser realizadas várias outras pequenas ações com impacto social muito mais abrangente e eficiente.
Isso sem falar na extinção da ictiofauna da região que não tem preço.

Aquaflux: E por fim um “bate-pronto”:
Um time? São Paulo Futebol Clube
Outro Hobby? Vôo Livre
Um aquarista? Julio Ghisolfi
Uma cidade? Aracaju

Autor: Equipe Aquaflux (07/06/2010)
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