ENTREVISTAS AQUAFLUX
Entrevista com Sérgio Gomes

Aquaflux: Fale um pouco sobre você (onde nasceu, formação, profissão)
Sérgio Gomes:
Nasci em São Paulo, no bairro da Mooca, onde moro até hoje. Sou formado em Adm. De Empresas e MBA em Marketing na FGV. Trabalho para a United Pet Group, Inc. empresa americana, maior fabricante de acessórios Pet do Mundo, dona de marcas como Tetra, Marineland, Instant Ocean entre outras menos conhecidas do público brasileiro. Sou Gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina.


Aquaflux: Como e quando começou sua relação com o aquarismo?
Sérgio Gomes:
Meu pai tinha, no fundo de casa, uns aquários daqueles construídos com massa de vidraceiro. O povo da velha guarda vai sorrir quando ler isso... Pois eles sabem o quanto era difícil ter que desmontar o aquário para remendá-lo, pois eles vazavam direto. Eram construídos em uma armação de ferro ou alumínio. Faz tempo!

Nessa época ele criava Lebistes e tinha uns aquários onde misturava-se de tudo. Bandeiras com Kinguios, Cascudos e Espadas... Os filtros eram aqueles de copo com um chumbinho de pesca no meio e preenchido com lã de vidro. Era tocado por barulhentas bombas de ar... Era um hobby chocante... Não só porque era legal, mas porque dava choque mesmo... A instalação elétrica para ter luz nos aquários dava inveja aos fazedores de “gatos” e só de encostar no móvel, quando este encontrava-se molhado para tomar choques.

Ajudei meu pai a matar muito peixe nessa época...

Aquaflux: Qual a sua preferencia por aquários: Doce ou Salgado
Sérgio Gomes: Salgado. Nunca fui fanático por aquários até conhecer mais profundamente os aquários marinhos. Sempre disse a todos que me garanto nos marinhos. Nos aquários de água doce eu sou apenas um admirador do povo que manja de verdade, como os aquapaisagistas de hoje em dia, que são muitos.


Aquaflux: Quantos aquários você tem hoje?
Sérgio Gomes: Vergonha!!! Tenho apenas um aquarinho de 10 litros no quarto do meu filho...

Eu tinha um aquário de 700 litros na sala de casa. Uma beleza. Mas por todas as minhas viagens e ritmo de trabalho, não tinha pique ou tempo para cuidar direito dele. O pessoal da Aquabase, meus amigos André e Luca que montaram e cuidavam para mim. Esses dois, aliás, na minha opinião os maiores aquaristas brasileiros da atualidade.

Pensei muito em fazer um aquário marinho na minha sala, montar aos poucos, escolher os corais a dedo... Mas com o ritmo de trabalho de hoje, é algo impossível. Quem sabe daqui alguns anos?

Aquaflux: O que você teria feito diferente em alguma montagem que já fez e por quê?
Sérgio Gomes:
Não, porque cada montagem, por mais errada que seja, é uma aula.

O aquário é seu maior professor. Por mais que a pessoa conheça tudo de aquarismo na teoria, na hora de executar, o buraco é mais embaixo. Errar faz parte de aprender.

Aquaflux:
Aquário "peixado" ou aquário plantado, qual a sua preferência?
Sérgio Gomes:
Plantado, sem dúvida. Mas prefiro um bom aquário marinho com corais e peixes.

Só que isso não significa que sou contra ou acho feio, ruim ou de baixo nível, aquários só com peixes, só com Kinguios, mistos... Aquário ruim é aquário desmontado ou com peixes doentes. De resto, qualquer aquário é válido.


Aquaflux: Qual espécie de peixe, planta e coral você acha mais bonito?
Sérgio Gomes:
Eu sempre gostei muito dos Elegant, dos Leathers e das Xenias. Meus corais favoritos. Peixe eu tenho um monte de favorito, mas o Powder Blue é o mais lindo de todos na minha opinião...

Aquaflux:
Qual foi a sua maior frustração no aquarismo?
Sérgio Gomes: Não tenho frustrações no aquarismo. Fiz de tudo. Dei cursos, palestras no Brasil inteiro, Chile, Peru, Uruguai, Argentina, Venezuela, México, Panamá, Austrália, Nova Zelândia... Conheci muita gente bacana com isso. Profissionalmente, conquistei tudo que um aquarista poderia sonhar conquistar. Me tornei um executivo do ramo pet e tenho hoje, graças ao meu passado no aquarismo, um excelente emprego.

De ruim no aquarismo só algumas pessoas com pensamento provinciano e retrógrado, do tipo que passa 10 anos e não saem do mesmo lugar, que falam muita bobagem e fazem com que a gente perca a vontade de fazer mais... Mas pior que isso, inibem com suas críticas, muitas vezes, apenas maldosas, os novos e assustados autores e pessoas que surgem para fazer livros, dar mais palestras, enfim, agitar e renovar o mercado.

Já vi cara que pegou meu autógrafo no livro em um dos meus cursos, tirou foto comigo e pouco tempo depois, quando aprendeu algumas técnicas novas, desceu o sarrafo nos meus livros e em tudo que já fiz. Isso não me abala e nunca me abalou porque não tenho vaidade como aquarista. Nunca tive. Só que enche o saco.

Por que o cara, em vez de perder tempo falando mal, não trata de fazer melhor? Todo mundo ganha.

Aquaflux: Existe algum tipo de peixe que você gostaria de ter e ainda não teve?
Sérgio Gomes: Já fui lojista, então já tive todos os peixes que quis ter...

Aquaflux:
Muitos aquaristas têm problemas em casa com a relação Esposa x Aquarismo, você já teve esse tipo de problemas? Quais dicas você daria para quem sofre dessa sinuca de bico?
Sérgio Gomes:
Homem que é homem tem que se impor. Se a mulher encher o saco, tem que mostrar quem manda... (risos)

Falo e brinco muito com isso nas minhas palestras e livros, porque é uma realidade. E no fim a esposa tem razão. Ela sabe que sobra para ela todas as nossas invenções. Daí ela se imagina carregando baldes, lavando o aquário e normalmente é contra. Sem contar que ela acha sempre tudo muito caro.

A melhor maneira para solucionar isso é conversar com ela, explicando que aquário não deve ser desmontado, lavado, que não dá trabalho, que não é o que ela pensa e que é uma excelente peça decorativa na sala de estar e que as amigas dela vão pirar quando virem o resultado final.

De uns tempos pra cá houve, graças a Deus, uma mudança e muito mais mulheres são hobistas e até profissionais do aquarismo. Com isso, as lojas que antes tinham cara de pântano e cheiro de mofo, estão mais bonitas e preocupadas com detalhes que homens não reparam, como o entorno do aquário (qualidade do móvel, acabamento, qualidade do material, etc).

Aquaflux: Você é adepto do bom e velho faça você mesmo?
Sérgio Gomes:
Não. Normalmente quando alguém que não sabe o que está fazendo, acaba fazendo uma tremenda bobagem e acha que fez um grande negócio.

Um bom exemplo são os patês. Uma vez postei em um fórum que patê é coisa de quem tem tempo de sobra e que só servem para sujar a água do aquário. Me mandaram para vários lugares, inclusive alguns que nem sabia que existiam, me rogaram 72 pragas, me enviaram 5 macumbas virtuais 3 fotos da Regina Casé e uma do Rodela. Podem ficar bravos, mas é a pura realidade!

Se o cara é criador, é diferente, porque existe a questão econômica envolvida. Não dá para comprar ração importada para manter 100 matrizes. Daí o patê entra como uma boa opção. Mas um aquário de criação não é um aquário comum, por isso, colocar patê em um aquário ornamental é nada mais que sujar desnecessariamente o aquário. É como dar comida para cachorro em vez de ração.

Nada é melhor que uma ração de boa qualidade. Nada. Nem patê, nem coração, nem artêmia, nem a mulher samambaia... (Se bem que nesse último caso...) Ah... Quer dizer... Enfim... Nada. Porque a ração tem TUDO que o peixe precisa e em equilíbrio, o que significa que ele vai aproveitar quase tudo que está ingerindo. Além disso, um alimento industrializado contém mais de 40 ingredientes em equilíbrio. Quantos ingredientes se usa num patê? Qual critério para saber quanto coração usar, quanto camarão e quanta acelga? Gente que acha patê melhor que ração provavelmente acredita que o homem nunca posou na Lua.

Mas, apesar de não ser adepto, não sou contra o faça você mesmo. Cada um curte o hobby como quer e como pode. Só não pode prejudicar os animais por conta disso.

Aquaflux: O que motivou a escrever os livros?
Sérgio Gomes:
Na época do meu primeiro livro, a falta total e absoluta de opções modernas de leitura. A internet era para pouquíssimos, ninguém dava cursos, palestras ou escrevia nada de bom e moderno sobre o assunto. Os poucos que manjavam não tinham tempo de fazê-lo porque gastavam toda sua energia em falar mal uns dos outros e mostrar quem tinha o melhor aquário da panela.

Daí comecei a escrever uma apostila para os clientes da minha loja na época. Só que foi ficando grande demais e resolvi criar coragem de escrever um livro.


Aquaflux: Quais são os desafios de escrever livros de assuntos tão específicos? Como foi o processo de desenvolvimento e depois para publicação?
Sérgio Gomes:
São muitos desafios. Se o nego pensar muito e ficar fazendo muita conta, não faz.

O principal é você convencer a si mesmo que vale a pena. Todos, inclusive o cara que sempre me apoiou em tudo na vida, o meu pai, me disse para não fazê-lo. As razões eram que não ia vender porque o mercado era muito pequeno e também que eu viraria vidraça, ou seja, muitos iriam ficar falando mal e criticando.

Mas eu lia o que estava escrevendo e gostava. Sabia que muitos gostariam. Sabia, também, que haveria críticas, mas nunca me importei com isso.

Daí, resolvida a questão psicológica, é preciso ter grana, porque as editoras ficam com quase tudo. Elas apostam que você é apenas um sonhador e que quer apenas ter o sonho de escrever um livro realizado. Dei uma banana bem grande para 3 das editoras que se interessaram em publicá-lo, vendi meu carro, decidi fazer eu mesmo e apostei tudo o que tinha nesse livro. Tinha, na época, 23 anos de idade.

Minha mãe me emprestou o carro dela e eu contratei um professor de português para fazer uma correção gramatical (que ficou meia boca), um cara para desenhar os peixes, porque fotos eram caríssimas, uma editora para diagramar e imprimir tudo. Contei com um amigo que me emprestou o aquário, já que o meu ainda estava em formação e não estava pronto para ser capa de livro. Ele também fez a foto e a capa para mim. Meu amigo Peter. Perdemos o contato, infelizmente.

Nunca vou esquecer a emoção de abrir o pacote e olhar pela primeira vez o meu livro. Nem os olhos mareados de meu pai ao vê-lo. Para mim, isso valeu todo o esforço de 1 ano e meio de pesquisa e escrita e também o investimento financeiro.

Vendi a primeira edição em 15 dias. Comprei um carro novo e ainda consegui pagar a segunda impressão que demorou 2 meses para vender.

Tenho muito orgulho disso.

Aquaflux:
Quais são os seus livros publicados? Fale um pouco mais sobre eles. - Qual foi o livro mais vendido?
Sérgio Gomes:
“O Aquário Marinho & as Rochas Vivas” é meu livro mais vendido. Até hoje foram mais de 33000 exemplares vendidos desde 1996! É uma loucura pensar que um assunto tão específico em um país de pessoas que lêem muito pouco tenha vendido tanto... É um livro que fala de tudo um pouco de uma maneira simples e por vezes, brincalhona. Acho que o segredo desse livro não é a qualidade técnica das informações, mas a linguagem leve de um jovem de 23 anos preocupado em não ser chato. Foi um barato receber e-mails de todos os lugares do Brasil de pessoas muito mais velhas, médicos, advogados, executivos, dizendo que tentaram a vida inteira ter um aquário marinho e que só agora conseguiam. Foi uma grata surpresa. Já teria ficado feliz apenas se conseguisse recuperar o dinheiro do carro que investi em um ano e vejam só o que virou... O livro, apesar de escrito há tanto tempo, tem conceitos ainda atuais. As técnicas, claro, já são ultrapassadas. Há que se atualizar na internet...

“Guia de Corais e outros Invertebrados” foi um pequeno guia em forma de revista que não deu muito certo. A idéia era falar um pouco sobre cada invertebrado e mostrar belas fotos. Fiz esse livro em parceria com meus amigos Ricardo Miozzo e Alexandre Talarico, mas as fotos ficaram horríveis. Fomos enganados pelo cara da gráfica e resolvemos não reimprimir.

Vendemos 3000 exemplares mas levamos alguns anos para isso... (risos)

“O Aquário de Água Doce sem Mistérios” foi um livro que escrevi quando não se falava em aquários plantados. Daí, no livro há algo sobre as primeiras técnicas disponíveis no mercado. Apesar de não ser um grande especialista no assunto, pesquisei muito e contei com a ajuda de aquaristas muito mais experientes que eu e deu certo. Foram 27.000 livros até aqui.

“Primeiro Aquário” foi um guia que escrevi e que contei com a parceria de meu amigo Kobe que tirou fotos magníficas e fez toda arte. A proposta é de um guia básico para quem está começando. Tenho certeza que quem começa lendo esse guia não tem problemas típicos de iniciantes que matam seus peixes por excesso de comida, de peixes, manutenção errada, etc. Foram vendidos até aqui pouco mais de 13000 livros. Foi traduzido para o Espanhol e é vendido na Argentina como “Primer Acuario”

Também traduzi um livro sobre Discos para o Portugues. “O Livro dos Discos” de Dick Au vendeu pouco mais de 8000 unidades e encontra-se esgotado.


Aquaflux: Onde os aquaristas podem adquirir seus livros?
Sérgio Gomes:
Apenas e tão somente nas lojas de aquário. Desconhecidos que querem vender livros em livrarias famosas têm que baixar as calças e fazer dancinha. Como minha bunda é muito feia, prefiro vender apenas nas lojas mesmo.

Aquaflux:
Você pensa em escrever mais livros? Se sim, quais temas gostaria de abordar?
Sérgio Gomes:
No momento não. É muito trabalhoso. Meu trabalho hoje consome todas as minhas energias e nas minhas horas vagas gosto de me dedicar ao meu filho, minha futura esposa e meu cachorro. Ah, também divido meu tempo vago entre eles e meu mais novo hobby, o motociclismo.

Aquaflux: Você é reconhecido na rua por outros aquaristas? Qual é a reação deles?
Sérgio Gomes: Na rua não, mas nas minhas palestras as pessoas me abordam com carinho, pedem para bater fotos e assinar seus livros. Me sinto muito honrado com isso e não merecedor. Por isso, até hoje isso me constrange um pouquinho. Mas é muito bacana poder encontrar essas pessoas que perderam horas e horas com você lendo seu livro e retribuir um pouquinho por isso. Às vezes, funcionários de loja assistem minhas palestras e vêm com seus livros bem gastos de tanto ler e consultar e com muita humildade me pedem para assinar. Como se estivessem diante de alguém importante. Isso é muito comovente e ao mesmo tempo gratificante.

Uma vez, eu havia acabado de receber, na portaria do meu prédio, meu guia “Primeiro Aquário”. No elevador havia um homem que viu a capa e perguntou: “Esse livro é do Sérgio Gomes? Onde você comprou? Cara, que legal, posso ver?”. Daí eu, absolutamente constrangido falei, pode ficar... Ele não entendeu nada, mas depois acabou me reconhecendo. Foi muito engraçado e embaraçoso também.


Aquaflux: Como você vê o aquarismo hoje no Brasil?
Sérgio Gomes: Muito melhor que há 10 - 15 anos. Houve um progresso muito grande em vários sentidos. Hoje você vê lojas que destruíam o aquarismo vendendo aquários que iam dar errado, não forneciam informações básicas, etc, agora preocupando-se em vender o básico bem feito. E para mim, isso é um avanço ainda mais importante que o desenvolvimento do aquarismo plantado e marinho juntos. A razão é que se a base é ruim, poucos chegam ao ponto de tornarem-se aquaristas marinhos ou de plantados, porque desistem antes.

Ainda há muito que se fazer, mas a base melhorou muito e o topo também. Comparando-se o Brasil a países da América Latina, estamos muito a frente.

Aquaflux: Como você enxerga a Killifilia no aquarismo?
Sérgio Gomes:
Como algo praticado exclusivamente por hobistas. Se há a pretensão de que os Killies tenham alguma relevância no aquarismo do país, há que ser praticado por profissionais, ou os hobistas precisam se profissionalizar.

Explico. Quando lojista (já faz muito tempo) tomei canos e mais canos de criadores que prometiam um monte de coisas e não faziam. Me enchi e decidi não mais trabalhar com esse tipo de peixe. O mesmo relato ouvi de diversos outros lojistas.

Portanto, se não houver profissionalização, será sempre um nicho muito pequeno e com pouco apoio e recursos. Não sei se houve uma melhora nesse sentido. Mas como não vejo Killies com frequência, arrisco que se melhorou, ainda dá pra melhorar muito mais.

Aquaflux:
Quais são hoje, em sua opinião, as maiores dificuldades para o crescimento do hobby?
Sérgio Gomes:
Há que se divulgar mais as técnicas de aquarismo básico para os que estão começando. Ninguém começa a ler com Eça de Queiroz, assim como ninguém começa com um aquário plantado... Os pet shops que aventuram-se com aquarismo, deveriam investir mais em treinamento de seus funcionários e profissionalização do seu setor com boas baterias e bons provedores de peixe.

Aquaflux: Hoje a maioria dos produtos de ponta são feitos fora do Brasil. Como ter produtos de qualidade equiparável aos produtos internacionais principalmente os Europeus? Falta mercado? Profissionais/Pesquisa?
Sérgio Gomes:
Um pouco de tudo o que você mencionou. O mercado ainda é pequeno, os profissionais que existem e que são bons, esbarram nisso. O custo de ser produtor em pequena escala é alto e os produtos bons acabam saindo caro, o que limita as vendas. Não é uma equação que se solucione com um passe de mágica, mas com iniciativas de gente com mais coragem que juízo...

Aquaflux: O que falta para o Brasil chegar no mesmo padrão do aquarismo europeu, que possui feiras e um público enorme? Quais seriam os incentivos para que isso acontecesse?
Sérgio Gomes:
Falta grana para o povo poder se dar ao luxo de ter um hobby. Hoje o sonho de consumo da esmagadora maioria da população é poder comprar no supermercado mais comida e de melhor qualidade. Na Europa isso é diferente. Com isso há mais público e consequentemente há maior evolução.Tecnicamente não devemos em nada para os europeus. As informações vêm de lá, mas eles têm recursos nas universidades para pesquisas. Aqui isso não existe. É preciso que o país se desenvolva culturalmente para que o aquarismo siga a tendência. Não vejo isso acontecendo tão cedo por aqui.


Aquaflux: Um problema no aquarismo nacional, e vemos isso em vários fóruns, é o primeiro contato do futuro aquarista com o "Aquário" e o total despreparo de quem vende, já que poucos lojistas sugerem ao futuro aquarista levar apenas o aquário e depois de 15 dias os peixes. Como criar este "link" entre o comercial e o consumidor final sem prejuízos aos animais e aos iniciantes?
Sérgio Gomes:
Informação. Isso vem através de palestras que pessoas como vocês podem fazer em lojas aos sábados. Tipo, café da manhã com curso... Lojas de moto fazem isso! Convidam um palestrante e dão café da manhã para os clientes que reservam sua participação por telefone ou simplesmente aparecem...

No aquarismo isso ocorre às vezes, mas não é comum.

Além de mais divulgação de informação básica nos sites, fóruns e revistas. E, claro, livros. É um trabalho de formiguinha, resultados a médio e longo prazo, mas é o caminho.

Aquaflux:
A grande maioria dos aquaristas primeiro monta o aquário e só procura ajuda (livros, revistas, fóruns e amigos) quando tem problemas, o que fazer para minimizar essa estatística?
Sérgio Gomes:
É normal que isso aconteça. Mas temos que procurar fazer com que ele seja impactado por essas coisas que citei acima.

Eu mesmo comprei uma moto e só depois fui me informar sobre técnicas de pilotagem, equipamentos etc. Dei sorte de não cair, mas comprei equipamento errado e tive que comprar tudo de novo.

Se todos os aquários fossem vendidos com um “Guia Primeiro Aquário” de um tal de Sérgio Gomes, esses problemas seriam minimizados, com certeza... (risos). Estou brincando, mas é verdade!

Aquaflux:
Hoje temos nomes fortes no aquarismo nacional, mas o que deveria ser feito para aumentarmos esse número seleto de pessoas?
Sérgio Gomes:
O número excessivo de críticas maldosas certamente não ajuda. Mas essa fogueira de vaidades é do ser humano e não vai mudar. O que precisa é que aqueles que conhecem de aquarismo tenham coragem de começar a fazer mais e mais até que se sintam confiantes o suficientes para escrever livros, fazer cursos, palestras, etc.

Minha dica é que comecem dando curso para 5 ou 6 pessoas. Provavelmente será muito ruim, por isso, cobre pouco ou nem cobre. Se a pessoa não gostar, ao menos pagou pouco e você fica com a consciência leve. A cada curso, você irá se soltando e quando vir, já estará discursando melhor que o Fidel Castro. Quanto aos críticos, há que se aprender a clicar a tecla “F” e continuar trabalhando, sem preocupar-se em respondê-los. Mas ouça as que forem construtivas. Tem gente que critica para ajudar e eu grudo nessas pessoas. Tapinha nas costas é bom, mas uma boa crítica te faz crescer como nada nessa vida.

Aquaflux:
Na sua visão o que é ser um aquarista bem sucedido?
Sérgio Gomes:
É realizar aquilo que tem vontade dentro do aquarismo. Se a vontade é ter um aquário de 10 litros com 6 peixinhos muito saudáveis dentro, pronto! Esse é um aquarista bem sucedido.


Aquaflux: Como você imagina o aquarismo daqui a 15 anos (lojas, aquaristas, aquários, equipamentos)?
Sérgio Gomes:
Se o país continuar crescendo nesse ritmo, vejo um crescimento muito maior que tivemos nos últimos 15 anos. Vejo mais lojas boas, um número maior de aquaristas e um mercado mais atraente para investidores internos e externos.

Aquaflux: Qual o principal ponto de oportunidade de melhoria a política ambiental do nosso país? E qual seria o item mais de maior destaque positivo?
Sérgio Gomes:
Isso é um problema. Por aqui, como não há recursos para fiscalizar, proíbe-se. Há má vontade política e uma certa preguiça em fazer-se o que é preciso. É mais fácil construir um foguete espacial que ter uma bateria preparada para importar peixes. Leis absurdas são jogadas nas costas dos profissionais que têm que se virar para adaptarem-se e ficam sujeitos a qualquer tipo de empecilhos criados pelos órgãos competentes. Não vejo destaque positivo na política ambiental no país, acho que é feito muito terrorismo ambiental por aqui e também há muita politicagem e interesses particulares que se sobrepõem aos interesses ambientais.

Aquaflux: Qual a sua opinião sobre os fóruns, sites e blogs de aquarismo?
Sérgio Gomes: São fundamentais para que sejam divulgadas as novidades e técnicas básicas de aquarismo e informações sobre peixes, invertebrados, plantas, etc. Apoio integralmente.

Aquaflux: O que você tem a dizer para quem está iniciando hoje no hobby?
Sérgio Gomes: Leia os meus livros! (risos).

Não compre pelo preço. Aquarismo é 90% qualidade de informação e 10% equipamentos. Não adianta ter os equipamentos mais caros do mundo se não souber o que está fazendo. Tampouco adianta pagar R$0,50 mais barato em um peixe se ele estiver doente e infectar seu aquário.

Escolha sua loja com carinho. A que preocupar-se com o seu aquário é a que você deve eleger para comprar. O barato, em aquarismo, sempre sai caro.


Autor: Equipe Aquaflux (01/02/2012)
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