ENTREVISTAS AQUAFLUX
Entrevista com Solange Nalenvajko


Aquaflux: Sem considerar qualquer tipo de limitação (não ganhar na Megasena entre elas), qual seria a montagem dos seus sonhos (pode ser mais de uma, afinal é sem limites)?

Solange: Na verdade não tenho uma montagem de sonho, inatingível ou não. Todos meus aquários iniciaram com um objetivo: quero isto. Quero o melhor aquário para dois kinguios que puder montar, quero um aquário para todos meus killis. Então eu sento, pesquiso, estudo, planejo, coto preços, barganho e, se algo não der certo, procuro as alternativas até conseguir o que quero.

Daí você pergunta: mas nem um aquário maior e mais kinguios? Não, nem isto. Agora estou feliz e satisfeita com o que tenho, posso usufruir da realidade e deixar sonhos (ou novos objetivos) para suas devidas horas.


Aquaflux: Houve algum momento na sua trajetória em que você pensou em parar com o aquarismo? Por que? O que lhe motivou a persistir?

Solange: Minha trajetória é curta, dois anos e oito meses. Neste tempo jamais surgiu um motivo forte o necessário para cogitar a desistência do hobby. Problemas sim, vários, mas problema a gente resolve e segue em frente.



Aquaflux: O que levou você a começar com aquarismo? Conte-nos ai como e por que você começou com aquários.

Solange: Um kinguio fêmea chamado Joca que ganhei em 03 de dezembro de 2008, era um domingo. História completa mais adiante.


Aquaflux: Solange infelizmente, em nosso hobby, a presença feminina é bem menor que a masculina, por que você acha que isso acontece?

Solange: Bem que gostaria de ter uma resposta para isto, mas a verdade é que não tenho a mínima ideia. Para mim é um verdadeiro mistério.


Aquaflux: Os gordinhos crescem muito. Já pensou em ter um laguinho ornamental em casa?

Solange: Embora tenha espaço nunca pensei a sério sobre o assunto. Acho que isto só me deixaria preocupada. Os peixes (coitados) lá fora, no frio que faz aqui, os gatos, os bem-te-vis... Melhor ficar com os gordos dentro de casa.



Aquaflux: Além de você, alguém mais gosta de peixes (vivos, não fritos ou em ensopados) na sua casa?

Solange: Só eu. Meus filhos preferem cães.


Aquaflux: Qual é, na sua opinião, a maior diferença entre o cuidado de um aquário feito por um homem e uma mulher?

Solange: Acho que mulheres são mais detalhistas e atentas a sutilezas, coisas que por vezes só nós mesmas percebemos.


Aquaflux: Como surgiu seu interesse em criar kinguios e por que gosta tanto desses "gordinhos"?

Solange: Vou resumir a história da Joca, já que devo a este kinguio fêmea minha definitiva entrada no aquarismo e tudo o que sei hoje.

Dia um: a colega da filha de minha amiga compra um peixe antes de ir trabalhar. Deixa a embalagem no banheiro, encerra o expediente, vai embora, esquece o bichinho.

Dia dois: a moça não foi ao trabalho, telefona para a filha de minha amiga e pede para que ela leve o peixe para casa, que depois irá busca-lo. O expediente acaba, a filha de minha amiga pega o peixe, volta para casa, a moça não aparece, o peixe vai para uma jarra plástica de dois litros com água de torneira e a da embalagem também.

Dia três: minha amiga foi a um pet shop e compra aquela ração de bolinhas da qual não se sabe o nome e menos ainda a procedência e o peixe finalmente pode comer alguma coisa.

Dia cinco, um domingo: visitando minha amiga, ouvi toda a história e o óbvio “não quero ficar com este bicho”. Quem comprou o peixe não o queria mais também. “Ou você leva ou o coloco em uma bacia e dou para o cachorro brincar”. Tenho certeza que ela não faria isto, mas de qualquer forma puxei a jarra para meu lado e levei o bicho comigo.

E finalmente o animal estava salvo! Estava não. Mesmo tendo aquário anos atrás meu conhecimento era nulo e minha ignorância, total. E a Joca (nesta época era o Joca, pois pensávamos que fosse macho) ia sobrevivendo a mim e meus “cuidados”.

Comeu o pão que o diabo amassou, pôs no forno e serviu no lanche da tarde.

Então um dia fui comprar outro aquário para ela e contando a história deste peixe, o vendedor me olhou de um jeito que todos os alarmes soaram. Tem coisa errada aí. E comecei a pesquisar. Para resumir, fora tudo, o resto estava certo.

Conversando aqui e ali sobre este causo e depois de ouvir sugestões amáveis como largar disfarçadamente a Joca no laguinho da igreja ou jogar na patente e dar descarga, decidi fazer o que a consciência mandou. Assim saiu o aquário de 160 litros.

Como não se encantar com um peixe que suportou e sobreviveu a todas as barbáries que cometi? E que quando eu chamo “Joca! Olha aqui, menina.” ela procura onde estou? Esta me fisgou para sempre. Não abro mão dos kinguios nunca mais.



Aquaflux: Telescópios, Celestiais, Orandas, Ovos e Cabeças-de-Leão são algumas das variedades existentes de Kinguios. Simpatiza com os animais mais mutados fisicamente? Considera que exista algum limite entre o que é aceitável em relação às transformações físicas ou considera apenas adequadas as que mudam suas cores?

Solange: É um assunto bastante delicado este de fixar características originalmente inexistentes nos peixes. Qual a validade de buscar a beleza, a diferença ou a novidade através de cruzamentos seletivos (e quantos descartes?) a ponto de criar animais com deficiências acentuadas de natação, visão, compressão de órgãos internos, diminuição da expectativa de vida? Este é meu limite de aceitável: considero razoável fixar novas características desde que não prejudiquem a saúde e qualidade de vida do animal.

Desta forma, certas variedades de kinguios realmente não me agradam. Algumas acho de fato feias, mas no geral me dá imensa pena destes peixes que carregam características tão limitantes ou prejudiciais a si mesmos. Quem já observou o esforço que um pérola faz para nadar ou imaginou o que deve ser para um celestial ficar olhando para as lâmpadas do aquário oito ou dez horas por dia por falta de alternativa acho que entende o que digo.



Aquaflux: Existe alguma espécie de peixe ou variedade de forma ou de cor que deseja mas não teve oportunidade de possuir? Qual seria? E o que impede a realização desse desejo: dinheiro, espaço ou simplesmente não o encontra?

Solange: Queria um kinguio igualzinho ao Cacau, um cálico lindo que o Rimeson tinha. Nunca encontrei um sequer parecido com ele.


Aquaflux: A cada visita à alguma loja, podemos ver a cena em que uma mãe compra para o filho aqueles aquários-globo e um pequenino peixinho-dourado, com total passividade do vendedor. Sendo uma aquarista responsável que presa pela saúde e bem-estar desses animais, o que acha, na sua opinião, que as lojas deveriam fazer para contornar essa situação?

SolangeQuer ver uma coisa simples, possível e sem ônus? Pequenas notas explicativas. Por exemplo, no expositor de bettas, uma papeleta afixada dizendo mais ou menos isto: “Esta é uma bateria de exposição. Para que este peixe tenha uma vida saudável recomenda-se aquário mínimo de 15 litros com equipamentos básicos. Expectativa de vida: 2 a 3 anos.” No expositor de kinguios: “Estes são kinguios jovens. Adultos, atingem entre 20 e 30 cm de comprimento, conforme a variedade. Aquário mínimo recomendado para um exemplar: 100 litros. Expectativa de vida: 20 anos.” Impossível que alguém que esteja iniciando no aquarismo leia isto sem levar um baita susto e repense de imediato o assunto, principalmente se a ideia era um aquário de 30 litros.

Quando iniciamos as vezes não sabemos nem o que perguntar. Desconhecemos peixes, equipamentos, termos, montagem, manutenção e por aí vai. Incentivar a curiosidade e posteriores perguntas e repassar conhecimento e informações corretas é um começo simples mas promissor. Clientes bem informados compram melhor, mantêm aquários e peixes saudáveis e se fidelizam a loja.


Aquaflux: De certa forma, nossos animais tendem a refletir traços de nossa personalidade, mesmo que de forma imperceptível à primeira vista. Acha que é parecida em alguma coisa com os seus Kinguios, no que diz respeito ao temperamento? E ainda o mais importante, na sua mais íntima opinião, o que acha que podemos aprender com esses simpáticos gorduchos?

Solange: Ainda bem que a pergunta é sobre temperamento e não tamanho.

Kinguios são plácidos e sossegados, com um tempo todo próprio para desenvolverem suas atividades de peixe. Acho que é nisto que eles se parecem comigo, ou eu com eles.

Com relação a segunda pergunta, quando trouxe o pequeno Yama para o aquário, em início de julho, ele era menor que as nadadeiras ventrais de qualquer dos adultos. Uma miudeza. Nenhum dos grandes o atacou, perseguiu, achacou ou segregou. Simplesmente o aceitaram no grupo como se sempre houvesse feito parte dele.

Acolhimento e tolerância, esta é a grande lição.



Aquaflux: Você possui alguns Killies. O que mais gosta nesses peixes? Qual a manutenção que considera mais trabalhosa dentre os dois? Qual é a sensação de ver peixes procriando no seu aquário, de forma absolutamente instantânea?

Solange: Tenho apenas três tipos de killis (não sei se “tipo” é a palavra correta), todos originários da África, não anuais e no mesmo aquário visto que os parâmetros de água permitem e não há possibilidade de gerarem híbridos.

Gosto de observar os diferentes comportamentos que têm. Aonde preferem se alimentar, desovar, como é a disputa pela liderança, quais preferem a meia-água ou então a superfície e coisas assim. Digamos que é um aprendizado de detalhes que me permite modificar o aquário para tornar o ambiente melhor.

Manutenção, para mim, é indiferente. É algo fácil e simples tanto no aquário dos kinguios como no dos killis. Na verdade, prefiro mil vezes fazer a manutenção de um aquário grande do que de um nano.

Quanto a procriação, vida nova sempre é bom. Quando encontramos alevinos e não nos encantamos com isto acho que é hora de repensar o que estamos fazendo no hobby.


Aquaflux: TPAs, sifonagens, lavagens de areia, tratamentos de troncos, limpezas de filtro. Todas essas são tarefas consideradas "sujas' e de certa forma estigmatizadas como masculinas. Você tem (ou teve inicialmente) algum tipo de problema com isso ou para você sempre foram coisas tranquilas? Tem medo de botar a mão na massa?

Solange: Medo de pegar no pesado? De jeito algum. É prazeroso olhar para o aquário e saber que tudo aquilo foi você quem limpou, tratou, dispôs e mantêm. Que tem ali sua mão e seu trabalho, sua marca.


Aquaflux: Se uma pessoa perguntar "Mas com tantos cães, gatos, papagaios e hamsters, por que peixes?", qual é a primeira resposta que lhe vem à cabeça?

Solange: Em algum momento você já parou e simplesmente ficou observando um aquário? O tempo some, a alma se aquieta, a realidade se dissipa e tudo se transforma em quietude e paz. Precisa mais?


Autor: Equipe Aquaflux (31/08/2012)
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