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Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Matérias e artigos relacionados ao aquarismo marinho

Moderador: Equipe de Moderação

Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Denis Cetera em Dom 13/Abr/2014 20:25

Olá, amigos.

Um dos principais atrativos em relação a sistemas marinhos é a diversidade e opções que podemos manter. Sem dúvida, sistemas marinhos possuem uma gama muito grande de invertebrados espetaculares que são normalmente oferecidos em lojas de especialidade. As chamadas lesmas do mar possuem mais de 3.000 espécies, e são talvez os mais coloridos e belos seres marinhos. Essas magníficas criaturas são uma das principais vedetes de mergulhadores em todo o mundo, principalmente por seu formato único, aliado às suas cores exuberantes.

Certamente, algumas espécies podem ser mantidas em aquários, sob condições especiais. Algumas lojas de especialidade, assim como alguns vendedores em fóruns, vendem esses animais como excelentes consumidores de algas. Em outras palavras, uma equipe de limpeza bela e eficiente. Um equívoco que demonstra o despreparo de muitas casas de especialidade e de pseudo-especialistas. Por esse motivo, resolvi escrever este breve artigo, como um guia para evitar perdas em nossos aquários, alertar e, de alguma forma, compartilhar minha limitada mas gratificante experiência em manter esses animais.

Vamos conhecer as principais espécies vendidas em algumas lojas de especialidade, e a possibilidade de manter de forma plena algumas lesmas do mar compatíveis em aquários:

Micromelo undata
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Exemplar do Atlântico

Esta belíssima lesma do mar pode ser encontrada em varias partes do mundo, inclusive no Brasil. Diferenças significativas em relação às cores podem ser observadas em espécies coletadas no Atlântico e Pacífico, mas os animais possuem a mesma exigência em relação à alimentação. Sua alimentação é especializada em vermes cirratulídeos e pequenas poliquetas que são relativamente comuns em nossos sistemas.

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Exemplar do Pacífico

Podem reproduzir facilmente no aquário, mas devem ser mantidos com peixes pacíficos. Se atacado e consumido por algum peixe agressivo ou predador (Peixe Gatilho, Lionfish, Garoupa e etc.), levará o peixe ao óbito em poucos minutos. É um animal relativamente resistente, mas a soltura deve ser obrigatoriamente por gotejamento. Cerca de três a quatro horas são suficientes. Podem viver tranquilamente em grupo. É um dos opistobrânquios mais resistentes.

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Vermes Espagueti (Cirratulideo). Muito comuns em nossos sistemas.

Muitos hobbystas preferem manter essas incríveis criaturas em um refúgio. Podem ser mantidas no display principal, mas com um cuidado especial em relação a bombas de circulação. Os acidentes são raros, mas devemos proteger a entrada das bombas. Devem ser mantidos em aquários montados há pelo menos seis meses. Os organismos bentônicos devem estar colonizando de forma dinâmica o aquário. Podem chegar a tamanhos entre 2 e 5 cm.

Chelidonura varians
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Sem dúvida, uma das mais impressionantes lesmas do mar que podemos manter. A Chelinodura varians é relativamente resistente, mas como todas as lesmas marinhas, são sensíveis a altos níveis de nitrato. É uma das lesmas mais freqüentes no mercado internacional, e de vez em quando são importadas para o mercado brasileiro.

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Vendida normalmente como devoradora de algas, essa belíssima criatura possui uma dieta especializada em planárias marinhas. As planárias, sem dúvida, são o terror de muitos hobbystas. Normalmente surgem no aquário quando índices de matéria orgânica estão inadequados, principalmente se o potencial redox do sistema não estiver equilibrado.

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Terror de muitos Hobbystas. Planárias marinhas

A Chelinodura varians pode viver em grupo, e deve ser mantida com habitantes pacíficos. Possui toxinas muito poderosas, e pode ser fatal se ingerida por algum peixe. Idealmente, lesmas do mar devem ser mantidas com peixes de pequeno porte, para evitar problemas. Reproduzem-se de forma regular no aquário. O principal quesito para a reprodução é uma excelente qualidade de água e baixíssimos níveis de nitrato.

Berguia verrucicornis
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Esse fascinante animal normalmente vem de carona em algumas espécies de corais importados, principalmente em zoanthus. É largamente utilizada por hobbystas americanos e europeus para o controle e extermínio da aiptasia, com excelentes resultados, em muitos casos o extermínio total dessa terrível praga. O hobbysta deve ter o cuidado de manter a aiptasia em algum aquário separado, pois esses animais são especializados em comer essas pequenas anêmonas. Sem sua fonte de alimento, morrerão de fome.

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Quando mantive esses animais, montei um aquário com cerca de sessenta litros com muita rocha viva e aiptasia. Para proliferar as anêmonas no aquário de criação dos Berguia, basta o Hobbysta passar uma escova de dentes sobre a aiptasia, até não restar mais resquício na rocha. Nesse momento, dezenas de diminutos pedaços da anêmona estarão vagando no aquário, e cada pedaço se tornará uma nova aiptasia.

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A Aiptasia é uma das pragas mais temidas de um sistema marinho

Nesse aquário devemos manter os Berguia, observando se no aquário principal existe alguma aiptasia. Em caso positivo, soltamos a lesma do mar próximo à praga. Em poucos minutos, ele atacará e comerá a presa. Depois, basta removê-lo usando um copo ou recipiente. Devemos cultivar em um copo de vidro pequenas aiptasias. Esse copo pode ficar no aquário de criação dos Berguia. Cobrimos a abertura do copo com alguma tela para evitar o ataque das lesmas. Quando o Berguia fizer o seu trabalho no aquário principal, basta colocar este copo próximo à lesma. Em pouco tempo ela entrará no recipiente para devorar as anêmonas. Nesse momento, o hobbysta retira o copo e devolve nosso “herói” natural para seu aquário de criação. Podem chegar a 3 cm.

Hypselodoris Bullocki
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exemplo de três colorações em uma mesma espécie

Entre 2001 a 2005 foram largamente importadas para o Brasil. A forma e cores exuberantes logo chamaram a atenção em lojas de especialidade. Conhecida como Sea Slug Purple, foi inicialmente vendida como comedora de algas e benéfica para o sistema. Infelizmente, em poucos meses os animais morriam. E, curiosamente, alguns peixes morriam ou adoeciam no aquário, sem motivo aparente.

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Depois de algum tempo foi descoberto que esses animais se alimentavam de esponjas marinhas. Então, as lojas resolveram vender kits de esponjas-bola nacionais junto com a Sea Slug Purple. Os animais continuavam morrendo, e em pouco tempo a maioria das lojas deixou de vender esses animais. (Infelizmente existem algumas que insistem em vendê-los).Isso ocorre porque a alimentação da Hypselodoris Bullocki é especializada em esponjas do gênero Dysidea, principalmente a espécie Dysidea etheria, que são largamente encontradas em certas áreas do oceano Pacífico, áreas com grandes populações de lesmas do mar do gênero Hypselodoris. Então podemos concluir que é quase impossível manter esses animais em sistemas fechados no Brasil, porque não temos como conseguir esse alimento especializado.

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Esponja Dysydea etheria

Mantive esses animais por alguns anos, sobretudo devido ao fator sorte. Como sabemos, a maioria dos corais mantidos em nossos sistemas foram inicialmente importados. Comprei na época um coral chamado Duncanopsammia axifuga, e em sua base veio de carona uma pequena colônia da esponja Dysidea etheria. É uma esponja de crescimento rápido, e em um mês tomou conta de uma rocha inteira. Em poucos meses, nasceu em vários pontos do aquário. O principal cuidado com essa magnífica esponja é nunca deixa-la emersa.


Hypselodoris picta lajensis
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A Laje de Santos foi o primeiro local onde esta belíssima espécie foi encontrada, por isso o nome H.p lajensis. É largamente encontrada em praticamente toda a costa brasileira. sua dieta, como da maioria das espécies Hypselodoris, é especializada em esponjas do Gênero Desydea. Diferente de seus parentes do pacífico, a H.lagensis comerá qualquer esponja Desydea, não sendo especializada em apenas uma espécie.

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Pode ser mantida em grupos, e sua toxina é uma das mais potentes em comparação a outras espécies. Pode reproduzir com regularidade. Em meus aquários se mostraram a mais resistente lesma do mar. São encontradas de águas muito rasas até profundidades de trinta metros. Devemos ter uma atenção especial em relação à sua aclimatação. Não podem ser mantidas com peixes agressivos.

Chromodoris binza
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Talvez uma das mais apaixonantes lesmas do mar, e dona de uma beleza sem igual, a C. binza foi amor à primeira vista. O primeiro exemplar que mantive estava "preso" em uma pequena poça temporária em uma praia na Região dos Lagos, do Estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Praia dos Cavaleiros, em Macaé. Possuem larga distribuição na costa brasileira.

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São animais relativamente delicados, e seu período de aclimatação por gotejamento deve ser de, no mínimo, 4 horas. Sua dieta é especializada em esponjas do gênero Chelonaplysilla. Essas esponjas são facilmente encontradas na costa brasileira, normalmente em profundidades de 5 a 30 metros. O hobbysta nunca deve retirar a esponja da água. Esponjas são filtradoras e, se mantidas fora da água, mesmo por alguns segundos, o ar preencherá os canais filtrantes, levando a esponja à morte em pouco tempo.

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Esponja Chelonaplysilla sp.

Considerações Finais
Lesmas do mar, sem dúvida, são criaturas únicas. E, definitivamente, a maioria não come algas. Vão exigir por parte do hobbysta grande dedicação e principalmente experiência, exatamente por serem animais venenosos. Podem se tornar facilmente o destaque em qualquer montagem, principalmente nanos.

Nunca colete lesmas do mar se não tiver certeza dos hábitos alimentares do animal e, principalmente, se a fauna do aquário é compatível. Uma lesma do mar, ao morrer, pode liberar toxinas capazes de desequilibrar todo o sistema, principalmente aquários de pequeno porte, ou até matar organismos mais sensíveis, como camarões e estrelas do mar. Então devemos ter muito cuidado em relação à manutenção desses animais, como qualquer outro organismo marinho que contenha algum tipo de veneno.

Grande abraço.
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Denis Cetera

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Rity em Dom 13/Abr/2014 20:48

Ótimo tópico não conhecia quase nada de lesma já fiquei bem por dentro do assunto agora muito obrigado.
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Rity

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Wagner Gilberto em Dom 13/Abr/2014 21:07

:clap: :clap: :clap: Além de um otimo topico o melhor o aquarismo marinho esta ganhando mais espaço no flux parabéns a todos.
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Wagner Gilberto

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Marcelo em Dom 13/Abr/2014 23:56

Mais uma bela contribuição Denis!
Parabéns pelo artigo.

Abraço
Marcelo

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Vinicius Silva em Seg 14/Abr/2014 02:36

Parabéns Denis. Muito interessante esses animais.
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Vinicius Silva

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Leandro Varanda em Sáb 21/Jun/2014 12:19

Muito interessante! Parabéns!
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Leandro Varanda

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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Cristiane Magnussen em Sáb 21/Jun/2014 12:58

Incríveis animais, não sabia nada sobre.
Parabéns pela dedicação e contribuição ao fórum.
"A personalidade pode abrir portas, mas somente o caráter consegue mantê-las abertas"
72 litros kribensis
Reprodução de Apistograma Cacatuóide "Orange Flash"
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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor Oculto em Sáb 21/Jun/2014 16:35

Faço minhas as palavras da amiga Cristiane. :clap: :rock:
- Por favor... fundamente suas mensagens com conteúdo e não poste como você é fundamentado e quão importante és.
- Aquário é como passado de mulher... quanto mais se mexe mais problema aparece.
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Re: Mantendo Lesmas do Mar - Nudibrânquios e Opistobrânquios

Mensagempor tioac em Seg 01/Ago/2016 19:18

Matéria muito bacana, tenho vontade de ter estes belos espécimes mas parece ser um tanto complicado.
SE ACREDITO QUE MEREÇO, O UNIVERSO TEM O MEU ENDEREÇO
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tioac

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